não comemos pólvora
simplesmente pulverizam-nos
não ardemos pífia
são anjos sem cadastro soltos pelo umbigo
no ar
pó de tal & co da América
dos fracos e oprimidos
e ateus
não reza a História
não comemos pólvora
simplesmente pulverizam-nos
não ardemos pífia
são anjos sem cadastro soltos pelo umbigo
no ar
pó de tal & co da América
dos fracos e oprimidos
e ateus
não reza a História
.
a materialidade não são bocas de seda
bate nas pedras
& as letras estão abertas
são crateras confusas na sala
a materialidade é obra é artesã é universal
& transversal & transgressão
a materialidade são palavras vincadas na noite
a materialidade porque
a pedra é só abertura
e só apertura
& há refluxo & reflexo do abismo
a materialidade
das coisas para as coisas das coisas
&
das coisas das coisas para as coisas-coisas das coisas-coisas nas coisas
& a materialidade está na frente do mar
como quem está
na frente de guerra dos palhaços
de flores esguichando água ao peito para as caras
o corpo é materialidade
da materialidade do corpo
a ouvir o toc
toc toc da chuva nas urtigas

i-i-i-ccc-ççç-sss
medo de cair nos fossos e nas fossas [de fuças]
há um abismo ainda maior: dentro do abismo
iii
canaviais de pica-paus e canas de pesca à mistura
iii
e se for do caos ser do caos ser o caos
cçs
não há locais que se sirvam quentes nem
espaços que se vivam frios pela culatra da multidão
mas há sempre alguém que fica
para trash!’
cçs
derrame junto à barra latente que é o contrário
do caudal do rio é preciso mergulhar de cabeça
fazer-se vício das vísceras e vísceras do vício
iii
e a poética era no corpo da sardinha
uma flauta dardejada o movimento era à mistura
uma cebola também na subsistência da desordem
iii
tudo em desordem é pelo olfacto mais concreto
que se expelem as cerejas se na boca
não ficar pendurada
a madeira que a natureza
cçs
a seguir arquitectar-se-ão as fitas protoplasmáticas
sintonia com a ideia não com a ideia
com a ideia de caos caos é não é sim é não é é
cçs
picar se de se picar se fizer mel nas cúpulas
cçschhhhhiiichhhhhiiiiiiiichhhhh-i-i-i-i-i-cçcçcçshhhhhhhh
bruno santos

él me gustaba mucho
pero nunca se lo dije
porque mi criada me había avisado
si le guste un chico
nunca le diga que él le gusta
si se lo dice
él se burla de usted para siempre
los chicos son malos
yo no era guapa
ni sabia quien había pintado los Pestíferos de Java
decidi así escribirle cartas anónimas
escrebia el borrador en un cuaderno pautado
hoy no sé lo que escribia
pero sé que nunca escribi
tú me gustas mucho
y después pedía a una chica muy guapa
que pasara a limpio las cartas
yo creía que quien tenía un pelo
asi rubio y la piel fina
debría tener una caligrafia mucho mejor que la mía
ahora que cuento esto
veo que dejo muchas cosas afuera
por ejemplo que mi primero amor
no fue esto pero si Paulo
el hermano de la chica guapa
Adília Lopes
(traducción de portugués para castellano: Bruno Santos)
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Lui mi piaceva molto
ma mai glielo dissi
perché la mia tata mi aveva avvisato
se le piace un ragazzo
mai gli dica che lui le piace
se glielo dice
lui si prende gioco di lei per sempre
i ragazzi sono cattivi
io non ero bella
né sapevo chi aveva dipinto i Pestiferi di Giava
decisi così di scrivergli lettere anonime
scrivevo la brutta su un quaderno a righe
oggi non so quello che scrivevo
ma so che mai scrissi
tu mi piaci molto
e dopo chiedevo a una ragazza molto bella
di passare in bella copia gli scritti
io credevo che chi aveva
dei capelli tanto biondi e una pelle sottile
avesse una calligrafia di tanto migliore della mia
ora che racconto questo
mi accorgo che sto tralasciando molte cose
per esempio che il mio primo amore
non fu questo ma fu Paulo
il fratello della ragazza bella.
Adília Lopes
(tradotto dallo spagnolo all'italiano por: Francesca Correr)

a partir de “o 88º dia” de Cláudia Faro Santos
se o verde
se fizer
relva
serão duas cintilações
negras que nos virão bater
à porta
cada gotícula
estará dispersa e desperta
na janela da omoplata
.
era por dentro da seiva de caramelo mais maviosa
o maior acidente ferroviário de que há memória
Poemografias: de uma justaposição a uma posição justa debruça-se sobre a discriminação de género, apropriando-se de textos dos mais diversificados tipos e nas mais diversas línguas, desde alguns textos teóricos que lançam perspectivas sobre esta realidade até textos de índole jornalística que tocam casos mais ou menos particulares.
A presente exposição é, por isso, composta por poemas que são eles mesmos uma re-apropriação de textos precedentes, de autoria vária, os quais servem de matriz respectiva e específica para cada exercício de re-escrita que acaba por culminar no produto final (mas nunca acabado¾ nem no seu processo de escrita, nem no seu processo de leitura[s]) que é cada um dos poemas apresentados e que é o conjunto de todos os poemas que constroem o corpo da exposição em si.
Os poemas que constituem esta mostra surgem aqui sob a designação de poemografias. Tal denominação, tomada de empréstimo do movimento Po.Ex, tenta reflectir sobre o carácter in-comum da formasobre a qual são apresentados os poemas, fazendo a justaposição entre os vocábulos “poema” e “tipografia”. Com isto pretende-se questionar as convenções estabelecidas no seio dos centros de poder que tentam ditar o que é e o que não é poesia (questionando indirectamente todas as formas de poder unidireccional), o como ela se faz ouvir ou se silencia (questionando a voz dita primacial e lendo não só o silêncio feito medo, mas também o caos generativo da insubmissão às práticas ditas convencionais: posição de resistência a caminho de uma hermenêutica diatópica (BSS).)
.
+m%C3%BAsica+rock+(a+partir+de+texto+de+Rita+Gr%C3%A1cio+e+Cristina+N%C3%A9ry).jpg)
.a partir do ‘paper’ “I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária de Cristina Néry e Rita Grácio
(apresentado no congresso Poéticas do Rock, FLUL, a 08.04.2009)
Talvez fume demasiado. Por vezes penso que talvez por vezes fume demasiado. A lei do tabaco que entrou em vigor já vai para dois anos bem que veio dizer “Opá, tu vê lá isso, não fumes esse cigarro, não precisas tanto dele assim.” Bem, pensando bem, o que a então nova lei do tabaco veio dizer foi “Não fumes esse cigarro, aqui e agora, não o fumas porque não deixo.” Com o acrescento “Se o dono deste espaço público me pagar, i.e., se tiver dinheiro para investir no material que o meu primo homologa lá em Bruxelas, aí, sim, aí podes fumar um cigarrito aqui e agora.”
Acho que fumo mesmo demasiado. Para estar a escrever um post sobre isso é porque, se calhar, talvez fume mesmo demasiado.
De resto, deixar um aparte que é também um balanço destes quase dois anos de lei anti-tabagista (bem sei que deveria ser uma lei de prevenção ou alerta para o tabagismo, mas não, é anti-tabagista mesmo). Se não estou equivocado, foi durante o governo Sócrates que esta lei veio à baila. E se não estou enganado, a dita lei foi um pouco uma imitação da lei que uns tempos antes havia entrado em vigor em Espanha. Bom, se não foi uma imitação, pelo menos servia-nos de exemplo, sendo que sempre vinha à tona o exemplo espanhol que nos dizia que um grande número de tabagistas tinha deixado de fumar por causa desta lei e os hospitais já começavam a receber menos gente com problemas relacionados com o consumo de tabaco e bla bla bla.
Agora que talvez o José não fique no poder, não me parece haver grande esperança de ver lei abolida. Também, sinceramente e a bem dizer, de um ponto de vista prático, não me faz qualquer diferença.
O que me não me causa indiferença de todo é saber o que pensará a Manuela disto tudo. Se ficar ela no poder, será que vai proibir o cigarro no espaço público de vez? Ou será que vai proibir o cigarro e ponto final (não entra sequer nas nossas fronteiras, fica do lado de lá, do lado do espanhóis, pode ser que eles revoguem o seu mandamento do “não fumarás” e fumem tudo o que vinha cá para o big burgo e, olha, morram para aí.)
O pior será se a Manuela nos obrigar a todos/as a fumar o tabaco do antigamente: Português Amarelo. Será ainda pior se, acrescido a essa obrigatoriedade, nos deixar fumar somente um determinado número de cigarros por dia. Pior, só se nos proibir fumar de todo. É que, pode parecer idiota e, quem sabe, até um tanto supérfluo, mas é que, às vezes, quando sinto que necessito mesmo um cigarro, por stress ou por não fumar há muito, advirto novamente que pode parecer um comentário tonto e desnecessário, mas é que, dizia, quando fumo esse cigarro, sinto-me mesmo livre.
EL DOMADOR DE LUNAS
estamos apoyados a una autocaravana bebemos sangría
charlamos mientras quemamos la noche
junto al mar
el viento fresco sorpréndenos con las manos nerviosas
en rededor de los vasos empañados la ternura de una mirada
no basta para iludir la embriaguez de los amores imperfectos
sé que posees todavía alguna juventud en ese sonriso
yo ya solamente emborracho los labios viciados por las palabras
poco tengo que decirte
tocote en el hombro hago promesas y tú reís
mientras descubrimos en el silencio cómplice del vino
que los dedos se enlazarán unos en los otros y sobre la piel
tiembla una tela de luminoso sal donde la noche cae
sobreviviremos al desgaste del amor
bebemos más
para que exista solo deseos y no amor entre nosotros y
el chico que tiene manía de espetar un cuchillo rubio
en el hombro del mar
La vie est une gare, je vais bientôt partir,
je ne dirait pas où.
me callé
sabiendo que me conducirías a casa por el camino de la playa
tambaleantes
y mientras yo no conseguir abrir de nuevo los ojos
no partirás estoy seguro
con tu jaula llena de lunas mansas
apaciguadas
Al Berto
(traducción del portugués para castellano: Bruno Santos)
IL DOMATORE DI LUNE
Stiamo appoggiati a un camper beviamo sangría
parliamo mentre bruciamo la notte
accanto al mare
il vento fresco ci sorprende con mani nervose
attorno ai bicchieri annebbiati la tenerezza di uno sguardo
non basta per ingannare la sbronza degli amori imperfetti
so che possiedi ancora una qualche gioventù in quel sorriso
io ormai solamente ubriaco le labbra viziate dalle parole
ho da dirti poco
ti tocco sulla spalla prometto e tu ridi
mentre scopriamo nel silenzio complice del vino
che le dita si intrecceranno le une nelle altre e sulla pelle
trema una tela di luminoso sale dove la notte cade
sopravviveremo al logorio dell'amore
beviamo di più
perché esista solo desiderio e non amore tra di noi e
il ragazzo che ha la mania di infilzare un coltello biondo
nella spalla del mare
La vie est une gare, je vais bientôt partir,
je ne dirait pas où.
Mi zitiii
sapendo che mi avresti condotto a casa per la via della spiaggia
barcollanti
e mentre io non riuscirò più ad aprire gli occhi
non te ne andrai sono sicuro
con la tua scatola piena di
lune mansuete
riconciliate
Al Berto
(tradotto dallo spagnolo all'italiano por: Francesca Correr)
vai de lebre de vagar
cadáver um grandessíssimo ar cheio de moscas
para abrir altar
os sumérios eram somas das sombras até
acordar
cheio de penas
cheio de moscas
me levanto
pipistrello pistacho frente ao mar
faminto o silêncio da língua áspera à espera
no silêncio da sua morte a espaços de íris e tenazes
uma lâmpada a perguntar pela Maria Amélia três vezes
imacula-se o maxilar aos pássaros
e faz-se uma sopa
uma só esponja faz família de toda a ruína
defenestrar uma cavilha entorna o córtex
não há mais medula
e os chineses vendem aquilo tudo
a fritura vem calafetar de melaço
a sua merda a sua repugnância
a sua ânsia belo estrume
invisível a noite pelo tratamento da sombra
is a writer isto sim é
escrever
para os trinta anos de cócoras
em Agosto o amendoim e agora não tens brinquedos
só coisas importantes: arrebanhar a caruma como retalhos em aglomerado contra
os fardos
já adulteraste hoje?
porque os nenúfares treinam a sua sensualidade na lua
salga na caruma narinas
o estágio da erudição ascendente
Agnese, Bruno, Cristina, Paulo, Porfírio, Rita
"En Primaria, gran parte das familias (un 49,4%) opta por algún tipo de ensino bilingüe, sexa indistintamente nas dúas linguas ou ben sexa con tendencia maioritaria cara a unha delas. Fronte a isto, un 37,4% dos consultados elixiría un ensino completamente castelán e un 12,5% optaría por dar todas as troncais en galego. Unha tendencia moi similar á de como deberían realizarse as probas orais ou escritas.En Secundaria, un 46% prefire que se cursen as troncais de forma repartida entre as dúas linguas mentres que o resto opta por ensino monolingüe, sexa exclusivamente castelán (33,8%) ou todo en galego (19,8%).
Nos ciclos formativos, a maioría dos consultados (un 52%) opta por un emprego das dúas linguas en todas as materias, unha opción maioritaria que se mantén tamén para os libros de texto e o material escolar.
Onde existe unanimidade é na consideración positiva de que se impartan contidos en inglés. Ao seu favor están o 91,5% das familias de Educación Infantil, o 75,2% dos de Primaria, o 63% de Secundaria e o 63% de Formación Profesional."
notícia na íntegra aqui
dossier completo Consulta ás familias sobre a utilización das linguas no ensino non universitario de Galicia aqui

27.07.2009 - 15h33 Sérgio C. AndradeMerce Cunningham, o lendário coreógrafo que revolucionou a dança moderna, morreu ontem, em Nova Iorque, aos 90 anos. “É com grande pesar que anunciamos o desaparecimento de Merce Cunningham, que morreu tranquilamente em sua casa, de causas naturais”, dizia o comunicado emitido pela Cunningham Dance Foundation e pela Cunningham Dance Company, que o dançarino e coreógrafo nascido em Centralia, Washington, em 1919, tinha formado no Verão de 1953.
Com a sua companhia, Cunningham marcou a evolução da dança, estabelecendo uma relação muito particular com as artes plásticas e com a música contemporânea, nomeadamente com a obra de John Cage, com quem começou a trabalhar em meados da década de 40, numa parceria que só viria a terminar com a morte do compositor americano, em 1992.
“Merce revolucionou as artes visuais e performativas, não em busca da iconoclastia, mas da beleza e maravilhamento que decorrem da exploração de novas possibilidade”, acrescenta a nota.
Ainda que remetido a uma cadeira de rodas, Cunningham tinha feito, no início do mês de Junho – já depois de ter celebrado o seu 90º aniversário, a 16 de Abril –, o anúncio do programa que decidira preparar para a sua companhia no West Village de Nova Iorque, para quando ele não a pudesse dirigir pessoalmente, ao então para depois da sua morte: realizar uma última digressão mundial de dois anos e, depois, extinguir-se.
“Tenho tido sempre na minha cabeça o movimento físico do ser humano”, disse o coreógrafo no momento do anúncio dessa tournée, a que deu o título Herança Viva.
“A carreira de Merce caracteriza-se pelo seu desejo constante de ultrapassar fronteiras e de explorar novas ideias”, disse também nessa altura Trevor Carlson, director executivo da Fundação que tem o nome do coreógrafo que chegou a ser designado o “Nijinski americano”.Fonte: Público Online