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.a partir do ‘paper’ “I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária de Cristina Néry e Rita Grácio
(apresentado no congresso Poéticas do Rock, FLUL, a 08.04.2009)
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.a partir do ‘paper’ “I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária de Cristina Néry e Rita Grácio
(apresentado no congresso Poéticas do Rock, FLUL, a 08.04.2009)
Talvez fume demasiado. Por vezes penso que talvez por vezes fume demasiado. A lei do tabaco que entrou em vigor já vai para dois anos bem que veio dizer “Opá, tu vê lá isso, não fumes esse cigarro, não precisas tanto dele assim.” Bem, pensando bem, o que a então nova lei do tabaco veio dizer foi “Não fumes esse cigarro, aqui e agora, não o fumas porque não deixo.” Com o acrescento “Se o dono deste espaço público me pagar, i.e., se tiver dinheiro para investir no material que o meu primo homologa lá em Bruxelas, aí, sim, aí podes fumar um cigarrito aqui e agora.”
Acho que fumo mesmo demasiado. Para estar a escrever um post sobre isso é porque, se calhar, talvez fume mesmo demasiado.
De resto, deixar um aparte que é também um balanço destes quase dois anos de lei anti-tabagista (bem sei que deveria ser uma lei de prevenção ou alerta para o tabagismo, mas não, é anti-tabagista mesmo). Se não estou equivocado, foi durante o governo Sócrates que esta lei veio à baila. E se não estou enganado, a dita lei foi um pouco uma imitação da lei que uns tempos antes havia entrado em vigor em Espanha. Bom, se não foi uma imitação, pelo menos servia-nos de exemplo, sendo que sempre vinha à tona o exemplo espanhol que nos dizia que um grande número de tabagistas tinha deixado de fumar por causa desta lei e os hospitais já começavam a receber menos gente com problemas relacionados com o consumo de tabaco e bla bla bla.
Agora que talvez o José não fique no poder, não me parece haver grande esperança de ver lei abolida. Também, sinceramente e a bem dizer, de um ponto de vista prático, não me faz qualquer diferença.
O que me não me causa indiferença de todo é saber o que pensará a Manuela disto tudo. Se ficar ela no poder, será que vai proibir o cigarro no espaço público de vez? Ou será que vai proibir o cigarro e ponto final (não entra sequer nas nossas fronteiras, fica do lado de lá, do lado do espanhóis, pode ser que eles revoguem o seu mandamento do “não fumarás” e fumem tudo o que vinha cá para o big burgo e, olha, morram para aí.)
O pior será se a Manuela nos obrigar a todos/as a fumar o tabaco do antigamente: Português Amarelo. Será ainda pior se, acrescido a essa obrigatoriedade, nos deixar fumar somente um determinado número de cigarros por dia. Pior, só se nos proibir fumar de todo. É que, pode parecer idiota e, quem sabe, até um tanto supérfluo, mas é que, às vezes, quando sinto que necessito mesmo um cigarro, por stress ou por não fumar há muito, advirto novamente que pode parecer um comentário tonto e desnecessário, mas é que, dizia, quando fumo esse cigarro, sinto-me mesmo livre.
EL DOMADOR DE LUNAS
estamos apoyados a una autocaravana bebemos sangría
charlamos mientras quemamos la noche
junto al mar
el viento fresco sorpréndenos con las manos nerviosas
en rededor de los vasos empañados la ternura de una mirada
no basta para iludir la embriaguez de los amores imperfectos
sé que posees todavía alguna juventud en ese sonriso
yo ya solamente emborracho los labios viciados por las palabras
poco tengo que decirte
tocote en el hombro hago promesas y tú reís
mientras descubrimos en el silencio cómplice del vino
que los dedos se enlazarán unos en los otros y sobre la piel
tiembla una tela de luminoso sal donde la noche cae
sobreviviremos al desgaste del amor
bebemos más
para que exista solo deseos y no amor entre nosotros y
el chico que tiene manía de espetar un cuchillo rubio
en el hombro del mar
La vie est une gare, je vais bientôt partir,
je ne dirait pas où.
me callé
sabiendo que me conducirías a casa por el camino de la playa
tambaleantes
y mientras yo no conseguir abrir de nuevo los ojos
no partirás estoy seguro
con tu jaula llena de lunas mansas
apaciguadas
Al Berto
(traducción del portugués para castellano: Bruno Santos)
IL DOMATORE DI LUNE
Stiamo appoggiati a un camper beviamo sangría
parliamo mentre bruciamo la notte
accanto al mare
il vento fresco ci sorprende con mani nervose
attorno ai bicchieri annebbiati la tenerezza di uno sguardo
non basta per ingannare la sbronza degli amori imperfetti
so che possiedi ancora una qualche gioventù in quel sorriso
io ormai solamente ubriaco le labbra viziate dalle parole
ho da dirti poco
ti tocco sulla spalla prometto e tu ridi
mentre scopriamo nel silenzio complice del vino
che le dita si intrecceranno le une nelle altre e sulla pelle
trema una tela di luminoso sale dove la notte cade
sopravviveremo al logorio dell'amore
beviamo di più
perché esista solo desiderio e non amore tra di noi e
il ragazzo che ha la mania di infilzare un coltello biondo
nella spalla del mare
La vie est une gare, je vais bientôt partir,
je ne dirait pas où.
Mi zitiii
sapendo che mi avresti condotto a casa per la via della spiaggia
barcollanti
e mentre io non riuscirò più ad aprire gli occhi
non te ne andrai sono sicuro
con la tua scatola piena di
lune mansuete
riconciliate
Al Berto
(tradotto dallo spagnolo all'italiano por: Francesca Correr)
vai de lebre de vagar
cadáver um grandessíssimo ar cheio de moscas
para abrir altar
os sumérios eram somas das sombras até
acordar
cheio de penas
cheio de moscas
me levanto
pipistrello pistacho frente ao mar
faminto o silêncio da língua áspera à espera
no silêncio da sua morte a espaços de íris e tenazes
uma lâmpada a perguntar pela Maria Amélia três vezes
imacula-se o maxilar aos pássaros
e faz-se uma sopa
uma só esponja faz família de toda a ruína
defenestrar uma cavilha entorna o córtex
não há mais medula
e os chineses vendem aquilo tudo
a fritura vem calafetar de melaço
a sua merda a sua repugnância
a sua ânsia belo estrume
invisível a noite pelo tratamento da sombra
is a writer isto sim é
escrever
para os trinta anos de cócoras
em Agosto o amendoim e agora não tens brinquedos
só coisas importantes: arrebanhar a caruma como retalhos em aglomerado contra
os fardos
já adulteraste hoje?
porque os nenúfares treinam a sua sensualidade na lua
salga na caruma narinas
o estágio da erudição ascendente
Agnese, Bruno, Cristina, Paulo, Porfírio, Rita
"En Primaria, gran parte das familias (un 49,4%) opta por algún tipo de ensino bilingüe, sexa indistintamente nas dúas linguas ou ben sexa con tendencia maioritaria cara a unha delas. Fronte a isto, un 37,4% dos consultados elixiría un ensino completamente castelán e un 12,5% optaría por dar todas as troncais en galego. Unha tendencia moi similar á de como deberían realizarse as probas orais ou escritas.En Secundaria, un 46% prefire que se cursen as troncais de forma repartida entre as dúas linguas mentres que o resto opta por ensino monolingüe, sexa exclusivamente castelán (33,8%) ou todo en galego (19,8%).
Nos ciclos formativos, a maioría dos consultados (un 52%) opta por un emprego das dúas linguas en todas as materias, unha opción maioritaria que se mantén tamén para os libros de texto e o material escolar.
Onde existe unanimidade é na consideración positiva de que se impartan contidos en inglés. Ao seu favor están o 91,5% das familias de Educación Infantil, o 75,2% dos de Primaria, o 63% de Secundaria e o 63% de Formación Profesional."
notícia na íntegra aqui
dossier completo Consulta ás familias sobre a utilización das linguas no ensino non universitario de Galicia aqui

27.07.2009 - 15h33 Sérgio C. AndradeMerce Cunningham, o lendário coreógrafo que revolucionou a dança moderna, morreu ontem, em Nova Iorque, aos 90 anos. “É com grande pesar que anunciamos o desaparecimento de Merce Cunningham, que morreu tranquilamente em sua casa, de causas naturais”, dizia o comunicado emitido pela Cunningham Dance Foundation e pela Cunningham Dance Company, que o dançarino e coreógrafo nascido em Centralia, Washington, em 1919, tinha formado no Verão de 1953.
Com a sua companhia, Cunningham marcou a evolução da dança, estabelecendo uma relação muito particular com as artes plásticas e com a música contemporânea, nomeadamente com a obra de John Cage, com quem começou a trabalhar em meados da década de 40, numa parceria que só viria a terminar com a morte do compositor americano, em 1992.
“Merce revolucionou as artes visuais e performativas, não em busca da iconoclastia, mas da beleza e maravilhamento que decorrem da exploração de novas possibilidade”, acrescenta a nota.
Ainda que remetido a uma cadeira de rodas, Cunningham tinha feito, no início do mês de Junho – já depois de ter celebrado o seu 90º aniversário, a 16 de Abril –, o anúncio do programa que decidira preparar para a sua companhia no West Village de Nova Iorque, para quando ele não a pudesse dirigir pessoalmente, ao então para depois da sua morte: realizar uma última digressão mundial de dois anos e, depois, extinguir-se.
“Tenho tido sempre na minha cabeça o movimento físico do ser humano”, disse o coreógrafo no momento do anúncio dessa tournée, a que deu o título Herança Viva.
“A carreira de Merce caracteriza-se pelo seu desejo constante de ultrapassar fronteiras e de explorar novas ideias”, disse também nessa altura Trevor Carlson, director executivo da Fundação que tem o nome do coreógrafo que chegou a ser designado o “Nijinski americano”.Fonte: Público Online



"Que “todo o texto é político” isso já sabemos. Que a Po.Ex teve de “lutar contra uma tradição de lirismo sentimental, confessionalismo, preguiça, incultura, atraso, instalação e tudo o mais que traduzia o estado de decrepitude e estupidificação da sociedade onde se queria implantar”, surgindo “como uma verdadeira ameaça aos valores burgueses da cultura” também nos é fácil imaginar. O que eu pessoalmente não entendo é como se pode permanecer neste cinzentismo académico em que vivemos, tentando ignorar (ou ignorando de facto, por ignorantes que somos e que queremos continuar a ser para não ter trabalho que isso cansa muito e amanhã tenho que me levantar outra vez), dizia, tentando ignorar o que se fez com o texto, com o corpo do texto, o que o texto fez o seu corpo, o que o poema deu ao texto universal que é a literatura ainda com tantos caminhos para percorrer, ainda com tantas formas de correr esses caminhos. O problema é que está nas mãos do poder instituído o reconhecimento e até certo ponto (infelizmente muito forte) o próprio conhecimento desses caminhos. É que nem todos temos GPéSes. E às vezes o caminho esburacado dá-nos uma trabalheira danada para percorrer. E se bate o sol de chapa, queima os pés, porque às vezes vamos descalços. Outras, às apalpadelas. De quatro. O que pode ser uma escolha. Nem todas as imagens convencionais e/ou convencionadas têm que ser o que o discurso primeiro diz que elas são."

“pestana de fogo: linfócito” é um poema hipertextual que surge como produto de um projecto multidisciplinar concebido em regime colaborativo pelos artistas luis belo e bruno santos.
através da exploração de uma linguagem interdisciplinar e multimídia que se vai fundar nos alicerces da poesia experimental e do design e artes plásticas, “pestana de fogo: linfócito” pretende criar uma linguagem híbrida e fundacionalmente labiríntica, condizente, de resto, com aquilo que os autores defendem ser a natureza do próprio Texto (seja ele composto por signos linguísticos, por signos pictóricos ou pela matéria híbrida que aqui se pretende projectar).
a proposta deixada aos/às leitores/as (também eles/as em regime de colaboração para criação da obra “final”, através da interactividade exigida) é, então, a de construção do seu próprio cosmos poético através da escolha de caminhos a seguir no deambular pelo corpo do poema que se vai desdobrando, mediante a interacção com o leitor-criador, em múltiplos e sucessivos universos paralelos.
pelos artistas de ignição
:
luis belo
bruno santos
link directo para o poema sobre a imagem e também aqui.
a cassete do partido
pouco renovador
ou o cacete do bloco partido
pouco renovador
partido pelo cacetete do nacionalista
pouco renovador
a laranja azeda do social democrata
pouco renovador
ou a rosa de espinhos do democrata socialista
pouco renovador
com mérito ou sem mérito jogam à sociedade
pouco renovador
jogam no chão jogam na terra
pouco renovador
o verde é a cor da esperança mas a esperança, Portugal, está verde
pouco renovador
os trabalhadores portugueses
todos os portugueses são portugueses
e todos os portugueses são trabalhadores
se os deixarem
a não ser as trabalhadoras portuguesas
que não estão contempladas no programa do partido
pouco renovador
e assim mesmo também o sol se p.o.u.s.
pouco renovador
a malta do partido popular monárquico tem bigode.
a palavra é mó
em francês
a palavra é bimba
em espanhol
a palavra é parola
em italiano

a partir de Mário Cesariny
há palavras acesas como barcos
barcos iluminados como palavras
alta toxicidade flores para abrir a porta a
barcos iluminados como não há palavras
iluminados já que há palavras
iluminação, uma vez que existem barcospalavra
não há palavras como os barcos iluminados
não há palavras barcoiluminados
não há palavrasbarco iluminadas
não há palavras iluminadas
há palavras minadas
não há palavras
há palavras acesas como barcos
que são
palavras
que acendem
barcos